Considerações sobre o Pantanal

Bem, pessoal, primeiramente vamos entrar no clima! Para isso, dêem uma olhada:
 
Agora que vocês já viram algumas cenas desse paraíso, vamos fazer algumas considerações sobre ele, sem nenhuma pretensão, apenas para esticar a prosa...
O Pantanal Mato-grossense não é um só pantanal, e sim vários pantanais formados pelo extravasamento do rio Paraguai, que de seu nascimento em Diamantino, no Mato Grosso, até desaguar no rio Paraná, percorre em torno de 1400 quilômetros. Com aproximadamente 230.000 quilômetros quadrados, divididos entre os estados de Mato Grosso e Mato grosso do Sul, é constituído de vários ecossistemas, constituindo-se na maior reserva ecológica do planeta.
Tem como símbolo o Tuiuiú, a segunda maior ave do Brasil, só perdendo em tamanho para a ema. Como curiosidade, o tuiuiú é conservador no casamento, pois na sua espécie não há troca de casais.
Quando eu não atuava no meio, foi no Pantanal minha primeira grande aventura de pesca, nos idos de 70. Era fascinante na época, e ainda é...
Desde então viajei por vários locais de pesca, mas confesso que em belezas naturais não vi igual, principalmente pelo algo a mais que nos proporciona a contemplação de sua fauna.
A Amazônia é grandiosa, majestosa, mas fica a desejar nesse quesito...
Mas voltando ao Pantanal, sempre nos deparamos com questões como desmatamento, poluição, garimpos, hidrovia, dequada, etc. Naqueles tempos e nos dias de hoje... E parece que sem solução...
Minha última viagem para lá foi no ano de 2000, depois deixei de freqüentar devido minha mudança para Natal. Naquela época tivemos o prazer de conhecer e gravar alguns depoimentos do Major (na época) Ângelo Rabelo, há muito atuante na região. Vejam a apresentação do major:
Estávamos em abril de 2000, se não me engano, e lá chegando tivemos a desagradável surpresa de estarmos em plena “dequada”, com o rio Paraguai cheio de peixes mortos à deriva e sua qualidade de água comprometida. Foi uma ducha de água fria, pois tínhamos reunido uma turma da pesada para começarmos um projeto de pesquisa de novos pontos e alternativas de deslocamento. Esse projeto foi chamado de “Águas do Brasil”, e infelizmente não foi para frente. Dele faziam parte Wilson Feitosa, seu idealizador, juntamente com os pescadores Lester Scalon, Plínio Sanches, Jum Tabata, Dico Figueiredo, Willer Veloso, Jenner Leite (Jennerlure), Marcelo Peixoto ( proprietário do Barco Hotel Saint Paul), e os câmeras Roberto Ourives Sophia (o Sombra) e Marcos Réia.
Mesmo com a situação desfavorável, tocamos em frente. Antes disso, gravamos parte de nossa conversa com o major, aproveitando sua boa vontade e experiência na região. Sempre achamos que a “dequada” era resultado da ação do homem, principalmente devido às queimadas, mas aqui vai a explicação definitiva do que representa:
Apesar de paraíso ecológico, o Pantanal nunca recebeu tratamento à altura de sua importância. Vimos que a “dequada” é primordialmente fenômeno natural, apesar de receber “auxílio” do homem para agravar suas conseqüências, mas tirando isso, o resto de seus problemas deve-se ao progresso e suas ações decorrentes. São de nossa competência temas como definição de objetivos para a região, garimpos, hidrovia, pressão ambiental x economia, situação do pescador profissional, e pesca amadora x pesca profissional, entre outras. Assim, aproveitamos a oportunidade para conversar sobre esses temas, e aqui vai a opinião de quem atua na área há longo tempo. São apenas pinceladas, é bem verdade, e também são opiniões proferidas há algum tempo (2000), mas acredito que sejam ainda atuais e não tenham se modificado para melhor com o decorrer dos anos. Servirão, pelo menos, para pensarmos sobre o assunto e procurar, quem o desejar e se interessar, saber o que mudou de lá para cá.
 
 
Como vimos, o buraco é bem mais embaixo... A salvação de nossa fauna e flora depende de um conjunto de ações que isoladamente não nos levará a lugar algum, apenas retardará o processo de destruição.
Digo isso pensando no pesque e solte. Sou defensor, bem radical, por sinal, desse comportamento. Mas por várias vezes vi comentários argumentando que só isso não resolve, desviando o foco do tópico, por questões pessoais, e com isso prestando um desserviço à propagação da prática. O que quero dizer com isso é que de todas as ações necessárias para ajudar a natureza, apenas algumas estão ao nosso alcance com resultados imediatos. O pesque e solte é uma delas, não poluir nem desmatar os locais que freqüentamos é outra, o resto não está em nossas mãos. Só nos resta o voto, a longo prazo, mas esse caminho não oferece muita esperança...
É bem verdade que existem entidades particulares que tem feito um trabalho magnífico com ações mais globais, como a APEGO, por exemplo, entre outros, e a eles devemos todo nosso apoio. São exemplos que devem ser seguidos e prestigiados.
Voltando ao pesque e solte, independente de estatísticas e opiniões contrárias, a prática tem nos mostrado que é fator de suma importância na preservação e manutenção dos estoques, e aliado a uma política de tamanhos mínimos e máximos para captura, além de preservação do meio ambiente, nos dará com certeza a possibilidade de marcarmos um encontro com a vida no futuro.
Cotas? Que cotas? Esqueçam isso, por favor... Desenvolvam o bom senso e matem apenas o que estiver de acordo com suas consciências... 
Todas essas gravações fazem parte de nosso DVD “A Pesca no Pantanal MT”.
Ah... Em tempo... Esquecemos de comentar sobre os garimpos. Aqui vai: